Idolatria do coração – Filipe Fontes [RE:VIEW]

“Idolatria” é uma palavra que pode confundir as pessoas. Alguns acham que os únicos idólatras são aqueles que veneram imagens, com rituais vazios de significado e o típico bezerro de ouro disfarçado de santo. Em Idolatria do Coração, Filipe Fontes mostra que, na verdade, a idolatria é um pecado muito mais comum do que nós imaginamos, mesmo entre os salvos.

Nós nascemos para adorar, portanto, quando não adoramos a Deus, estamos certamente alimentando um ídolo com toda a nossa devoção. É bem provável que em algum momento da vida todos nós estejamos em uma situação em que nossos ídolos serão revelados por meio do nosso comportamento. Um coração pecaminoso tem seus deuses externalizados quando eles são ameaçados por alguma circunstância da vida, ou até mesmo pelos sentimentos ou palavras de pessoas ao nosso redor. Nós fomos criados para amar, mas nem sempre amamos o que deveríamos. Os pecados superficiais que vemos quando algo ou alguém toca em nosso ídolo são apenas uma amostra do que há na raiz do nosso ser.

O autor discorre a profundidade desse pecado em capítulos bem divididos entre entender, discernir e combater a idolatria. A primeira parte do livro nos mostra que podemos ter mais ídolos do que imaginamos, que até uma dádiva de Deus pode tomar o lugar dele no nosso coração. É uma observação importante, porque achamos que os ídolos só podem ser coisas ruins, mas a verdade é que, quando amamos mais o presente do que o Doador, invertemos a ordem e a receita do falso deus está pronta.

A segunda parte nos ensina a enfrentar a idolatria, lembrando que é uma tarefa difícil, por estar envolvida com as profundezas do coração, mas não impossível, porque foi o próprio Deus que ordenou que lutássemos. Filipe Fontes destaca tanto a responsabilidade do homem nessa luta quanto a atuação de Deus na provisão da graça necessária para o combate. A responsabilidade humana está em fazer uso constante dos meios de graça, por meio dos instrumentos ordinários que o Senhor nos deu. Segundo ele, “se desejamos combater a idolatria, é urgente ampliarmos a nossa exposição à Palavra de Deus”, portanto, a Bíblia é essencial. Não é à toa que ela é definida como “espada do Espírito” em Efésios 6:17. Um segundo meio de graça é a oração, que nos traz o benefício da confissão e do desabafo, bem como o de ter um coração em paz em circunstâncias adversas.

Deus é o maior interessado na nossa luta contra os ídolos, porque fomos criados para ele, e nosso coração estará insatisfeito enquanto se alimentar de coisas finitas e tão passageiras. Podemos ter a certeza de que contaremos com o auxílio divino, tanto em usar situações para expor nosso coração, como em prover as condições necessárias para essa batalha.

“Idolatria do coração” me surpreendeu e me ensinou a não subestimar livros pequenos. Há muita sabedoria nas palavras do pastor Filipe, e elas são úteis para autorreflexão, aconselhamento e para uma leitura introdutória sobre esse assunto, que merece ser cada vez mais exposto no meio cristão.

A guerra é constante, mas Deus é por nós.

“Idolatria do coração” veio na caixa de novembro de 2019 e pode ser adquirido no site da editora 371. Clique aqui para comprar.

Larissa Lima é uma cearense com coração corintiano. Membro da Igreja Batista Maanaim, vai se formar em psicologia até meados de 2021. Entre a psicologia e o aconselhamento, tem vivido uma história de amor pela Bíblia.

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